segunda-feira, 5 de agosto de 2013

PROP@GACULT * Verdade (1/4)




Graça e Paz, Propagadores!

Meu nome é Geziel e irei compartilhar semanalmente com vocês alguns pensamentos que nos levará a refletir sobre Deus, o homem e suas relações.

Como vocês vão ver do decorres das semanas, sou um amante da filosofia, que significa “amigo da sabedoria”. Enquanto a ciência nos leva a buscar respostas para perguntas ainda não respondidas, a filosofia nos leva a questionar as respostas dadas às perguntas.

A força motriz do pensamento filosófico que surgiu desde Tales no século VI e IV a.C., que percorreu toda história da humanidade, passando por filósofos e teólogos, e até hoje bate na porta de nossos pensamentos é o questionamento sobre a VERDADE! Você já parou para pensar: o que é a verdade? 
Pretendo dividir esse em mais de um post, para melhor compreensão, onde abordaremos definições básicas, pensadores e pensamentos, reflexos bíblicos e síntese final.

A palavra VERDADE foi originada no latim “veritas, veritais”, porém podemos distinguir DUAS acepções fundamentais do termo. A primeira é a acepção epistemológica, da qual falaremos hoje, onde pela qual a verdade é a adequação entre a inteligência e a coisa que se opõe ao erro. A segunda é a acepção moral (só semana que vem!), pela qual a verdade é a adequação entre a inteligência e a sua expressão manifestativa e, neste sentido, se opõe à mentira.

VERDADES EPISTEMOLÓGICA
Durante muitos séculos, pode-se dizer que até ao século XVI, a humanidade nunca tinha suspeitado da capacidade humana de atingir a verdade das coisas, isto é, conhecer as coisas como elas são. Foi o filósofo francês Descartes (1596-1650) quem, pela primeira vez, formulou de maneira metódica o problema relativo à esta capacidade, chamado, mais tarde, o problema “crítico”. Colocando todos os conhecimentos humanos no “suspense” de uma dúvida metódica, julgou que a única verdade inicial sobre a qual era impossível duvidar era esta: “penso, logo existo”. Ao menos isto a inteligência podia conhecer inicialmente com absoluta certeza; o simples fato de o homem pensar, nem que fosse para duvidar de tudo, lhe dava a certeza de existir. Nisto mesmo ele intuía a capacidade da inteligência para atingir a verdade. Partindo dessa verdade inicial, Descartes chega à certeza da existência de um Deus Criador, no qual ele encontra a garantia ultima de todas as nossas certezas objetivas. O homem viveria numa total ilusão se sua inteligência falseasse a realidade das coisas, sendo que esta falsidade seria imputada ao Deus Criador. Qualquer que seja o valor desta solução, o problema crítico estava formulado e muitas outras soluções ou atitudes seriam adotadas a seu respeito.

O ceticismo continuaria a negar qualquer capacidade da inteligência humana para atingir a certeza, segundo o idealismo, especialmente na formulação mais aguda que lhe deu o filósofo alemão Kant (1724-1804): a razão pura não pode conhecer a coisa em si, mas apenas a sua ideia, aquilo que ela representa da coisa. Contra essas correntes, reage o realismo filosófico, segundo o qual a própria análise da estrutura do ato cognoscitivo nos pode dar a certeza de sua perfeita fidelidade ao real, a certeza de que ele não distorce ou falseia a realidade da coisa em si. Não posso ver o micróbio como ele é, mas, analisando o microscópio, posso ter a certeza de que ele não falseia a realidade do micróbio, isto é, que lhe permite atingir o micróbio como ele é em si.

Em suma, nossas faculdades mentais assumem das coisas uma ideia abstrata, que é o sucedâneo mental fiel da coisa em si. Nesta primeira operação do espírito, não há verdade e nem erro, há apenas maior ou menor exatidão e nitidez. A verdade epistemológica, ou respectivamente o erro, começa quando afirmamos ou negamos a adequação entre um sujeito e um objeto. Todo erro é, em ultima análise, causado por uma precipitação ou inadvertência devidas, geralmente, há um fato passional que interfere em nossa atividade cognitiva. Quando forma, por exemplo, o seguinte juízo: fulano é um assassino, as ideias que tenho do fulano e de seu assassino são fieis, são exatas, mas o juízo que formulei será verdadeiro ou falso, na medida em que existe de fato a adequação entre o sujeito e o objeto, isto é, entre fulano e o assassino. Será verdadeiro, se formulado à base de provas evidentes, por exemplo: vi fulano praticando crime; poderá ser falso, se formulado precipitadamente à base de indícios ou se testemunhas de veracidade duvidosa.

Deixo uma sugestão de filme que é "O nome da Rosa", onde monges e padres morrem por buscarem a verdade.

Um abraço a todos e até semana que vem.

Fraternalmente,

Pensando e Propagando
Geziel Gomes Barbosa